Há algum tempo venho ouvindo a mesma ideia em debates sobre o futuro do jornalismo.
As pessoas não querem mais notícias. Preferem vídeos curtos, resumos produzidos por inteligência artificial ou as mensagens que chegam pelos grupos de WhatsApp.
Sempre que escuto esse diagnóstico, lembro de uma experiência que vivi muitos anos antes da internet comercial existir.
Naquela época,…
Na manhã de 11 de setembro de 2001, tudo indicava que seria um dia comum na redação de O Estado de S. Paulo.
Eu era o editor executivo responsável pela pauta e acompanhava o movimento da redação da minha mesa, próxima à sala do diretor de Redação, Sandro Vaia. A pauta do dia estava organizada e…
A primeira redação em que entrei era barulhenta. Máquinas de escrever, telefones tocando, editores e repórteres falando ao mesmo tempo. O caos era sinal de que a notícia estava sendo feita.
Hoje, muitas redações digitais são silenciosas. Na superfície, quase tudo mudou. Mas a base do jornalismo não está no ambiente nem na tecnologia de cada…
Quando Ana Brambilla escreveu no LinkedIn sobre as escolhas envolvidas no ato de publicar e na seleção do que merece atenção, lembrei de uma fala do fotojornalista Damir Sagolj sobre o impacto da presença do fotógrafo na cena.
Escolher é parte do trabalho. Edição é escolha. Mas a presença do observador também altera o que está…
No fim de 1998, recebi um convite para integrar um projeto de modernização da Agência Angola Press (Angop). Minha primeira reação foi hesitar. Eu era repórter de economia da Agência Folha em São Paulo, minha rotina era o mercado financeiro e a política da maior metrópole do país. Era intenso, mas estruturado, com fontes consolidadas…
